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CABEçA FEITA
Quarta-feira, 21 de Julho de 2010, 10:06
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ÍDOLOS DE PÉS DE BARRO!
Desde sempre, em algum momento de nossas vidas, escolhemos um ídolo.

Desde sempre, em algum momento de nossas vidas, escolhemos um ídolo. Quando somos pequenos, os escolhemos pelo amor que nos dão, a atenção que nos oferecem, seu brilho que nos ofusca. São quase sempre maiores que nós, literalmente falando, e esperamos ansiosamente, um dia  ser do tamanho deles, vestir as mesmas roupas, ir aos mesmos lugares, poder fazer as mesmas coisas. Somos seus fãs incondicionais.
Cada um escolhe o ídolo que lhe convém, e ele pode ser o pai, a mãe, o irmão mais velho, um tio engraçado, um professor, e naquela pessoa encontramos valores que consideramos importantes para cada fase da nossa vida.
À medida que amadurecemos, e nossos valores vão mudando, nossas escolhas pelos heróis de nossas vidas também mudam. O normal (se é que existe “o normal”), é que esse herói seja um espelho daquilo que acreditamos ou esperamos da vida, daquilo que admiramos, que sonhamos para nós...
Ninguém idolatra alguém que pratica algo que despreza. Por esse motivo, os heróis além de dar bons exemplos, quando não são bonitos, são artistas, ou gênios. Superam a maioria em alguma coisa. Somos fãs de quem voa, tem super poderes, escreve bons livros, pinta quadros maravilhosos, encanta com sua música, sua voz, tem poder, algum talento especial, inteligência...
Ninguém decide ser fã do bobinho do sanatório, ou do fracassado da turma da escola.
Queremos ídolos que brilhem que possuam ou façam aquilo que gostaríamos de possuir ou fazer, mas não temos competência, coragem ou... Sorte.
Só nos esquecemos de uma coisa: Nossos ídolos são tão humanos quanto nós. E é nesses simples mortais que muitos de nós se espelham. São eles que muitas vezes tomamos como exemplo.E aí descobrimos que seus pés são de barro!Que cometem erros iguais ou piores do que nós e que seu brilho se apaga como uma chama ao sopro de qualquer vento...
Aquele pai que a menina idolatrava seu ídolo, seu super herói, sucumbe como qualquer mortal à kriptonita dos instintos animais quando estupra alguém, transformando os sonhos da filha em valores sórdidos e autodestruidores.
Eu me pergunto o que leva uma mulher bonita, jovem, com um futuro talvez brilhante pela frente, a correr atrás de brilho, fama, facilidades, ídolos, dinheiro?E ter sua vida exterminada de forma tão macabra?
Eu me pergunto como estarão esses jovens, cujo ídolo, forte, brilhante, viril, poderoso, desmorona a sua frente em uma poça de lama, jogando por terra tudo que era esperado dele, projetado no futuro.
Reconheço que essa história já nos cansou com seus detalhes e mais detalhes (e ainda outros virão), até que outro pai jogue a filha pela janela, outra bandida maltrate uma criança antes de adotá-la e os meios de comunicação comecem mais uma festa...
Mas o que procuro nessa história é o rastro do ídolo, o brilho que refletia naqueles que o seguia e gritavam seu nome como gritam dos outros que a cada semana têm seus nomes estampados nas páginas policiais.
Penso que escolhemos nossos ídolos de acordo com nosso caráter, nossa sensibilidade e nossos valores. Vibramos com o que eles têm para dividir conosco, nos ensinar e deixar para o futuro. Não só para o nosso futuro, mas também para o de nossos filhos, os quais queremos que nos admirem, por nós, e pelas nossas escolhas, e para os quais queremos servir de bons exemplos.
Ídolos não precisam voar vestir roupas caras, ter fama, poder ou dinheiro. Ídolos precisam deixar algo que modifique para melhor a vida de cada um de nós, e que cada vez que deles nos lembremos o nosso coração aplauda de pé, com orgulho, e nossos olhos derramem lágrimas de saudade!

 Luiza Elizabeth da Silva
(especialista em Recursos Humanos)
e-mail: luizaeli@gmail.com

Tags: 18/07/2010 , Luiza Elizabeth , Cabeça Feita

 
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