|
AS MUDANÇAS anunciadas no formato da Facip, que diminui de tamanho e passa a ter cinco dias, e o bate-cabeça em torno da cobrança ou não de ingressos na portaria, que ficou no meio termo, decidindo-se pela reintrodução do modelo anterior, que era o pagamento na bilheteria de shows e rodeios, não deve esgotar-se só no que está acontecendo agora.
NA VERDADE, é preciso um debate mais amplo a fim de que o prefeito Humberto Parini ou seu sucessor não sejam obrigados a ouvir críticas como a do presidente da Associação Comercial e Empresarial, Wayner Pedrosa, que, em entrevista na Rádio Antena 102 FM, bateu forte na tecla de que faltam planejamento e diálogo à administração municipal quanto à programação da Facip.
EMBORA tenha ressalvado que o problema não é de agora, mas vem de longe, o tom contundente da crítica certamente serviu para aprofundar o fosso que separa o prefeito e o presidente da ACE, que andaram se estranhando pelos jornais e rádios, no fim do ano passado, por conta do projeto de revitalização do centro da cidade. Entre os parinistas mais esquentados, a reclamação é que, via de regra, as entrevistas de Wayner mais parecem de chefe da oposição do que de líder da mais importante entidade empresarial da cidade.
PELO SIM ou pelo não,vale a pena debater o assunto Facip não só sobre formato, mas a partir de uma questão de fundo que até hoje permanece intocada. Dentro de nove anos, o Recinto de Exposições Juvenal Giraldelli passará para o controle da Unimed de Jales, que o recebeu em troca do hospital em construção, de sua propriedade, no prolongamento da avenida Francisco Jalles, para viabilizar a parceria com a Fundação Pio XII, que estava interessada, como efetivamente o fará, na instalação de uma unidade do Hospital de Câncer em Jales.
AO MESMO TEMPO em que cedeu provisóriamente o prédio para a Prefeitura transferir para o Hospital de Câncer de Barretos, a direção da Unimed deu o recinto da Facip em garantia para o INSS, credor da instituição. E a cooperativa médica, enquanto discutia o valor do débito, cedeu o recinto de shows e rodeios, em comodato, por dez anos, para a Prefeitura. Ou seja, a partir de 2019, a Unimed passa a ser dona daquele espaço.
COMO O RECINTO, que hoje ainda é público, será da iniciativa privada a partir de 2019, não seria o caso de, no embalo da questão Facip 2010, começar a aplainar o caminho para e entrega da feira de Jales a investidores e se livrar de um problema que tem tudo para ficar cada vez maior?
TROCANDO em miúdos: com o aporte de recursos do Ministério do Turismo para festas como a Facip, a tendência do Ministério Público Federal, que abrange 46 municípios, mas tem sede em Jales, é examinar com lupa tudo o que se relacionar ao evento. Se der zebra, a administração municipal estará irremediavelmente comprometida, eis que a comissão organizadora da Facip 2010 é composta, de A a Z, por secretários municipais e chefes de gabinete do prefeito.
EMBORA os organizadores sejam pessoas acima de qualquer suspeita, quem já trabalhou em Facip sabe como é quase impossível controlar aquela máquina de moer gente e reputações. Portanto, um risco desnecessário, que não existiria se a administração municipal entregasse a realização de festas para a iniciativa privada e concentrasse as energias da equipe naquilo que realmente importa: educação e saúde de qualidade, ruas e praças bem conservadas, moradia e emprego para todos.
Tags:
07/02/2010
, Parini
, Wayner Pedrosa
|