quarta 23 setembro 2020
Geral

152 bispos criticam Bolsonaro: incapacidade para enfrentar crises

Por Mayara Oliveira (de Brasília)  

A “Carta do Povo de Deus” subscrita por 152 religiosos, deveria ter sido publicado na quarta-feira (22/7), mas foi suspensa para que o conselho permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) analise o conteúdo da carta. 

A carta foi obtida pela coluna da jornalista Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo.

De acordo com a colunista, os religiosos que assinam o documento, temem que a ala conservadora da CNBB impeça a divulgação.

No texto, os bispos afirmam que o Brasil atravessa um dos momentos mais difíceis de sua história, vivendo uma “tempestade perfeita” e que, apesar de “dolorosa”, precisa ser atravessada.

“A causa dessa tempestade é a combinação de uma crise de saúde sem precedentes, com um avassalador colapso da economia e com a tensão que se abate sobre os fundamentos da República, provocada em grande medida pelo Presidente da República e outros setores da sociedade, resultando numa profunda crise política e de governança”, diz trecho da carta.

O documento continua dizendo que, ao analisar o cenário político, é possível perceber “claramente a incapacidade e inabilidade do Governo Federal em enfrentar essas crises”.

“Assistimos, sistematicamente, a discursos anticientíficos, que tentam naturalizar ou normalizar o flagelo dos milhares de mortes pela Covid-19 [doença causada pelo novo coronavírus], tratando-o como fruto do acaso ou do castigo divino, o caos socioeconômico que se avizinha, com o desemprego e a carestia que são projetados para os próximos meses, e os conchavos políticos que visam à manutenção do poder a qualquer preço. Esse discurso não se baseia nos princípios éticos e morais, tampouco suporta ser confrontado com a Tradição e a Doutrina Social da Igreja, no seguimento Àquele que veio ‘para que todos tenham vida e a tenham em abundância’”, continua.

A questão econômica também é abordada na carta. O documento diz que o “sistema do atual governo” não coloca no centro a pessoa humana e o bem de todos, “mas a defesa intransigente dos interesses de uma economia que mata, centrada no mercado e no lucro a qualquer preço”.

“O ministro da Economia [Paulo Guedes] desdenha dos pequenos empresários, responsáveis pela maioria dos empregos no país, privilegiando apenas grandes grupos econômicos, concentradores de renda e os grupos financeiros que nada produzem. A recessão que nos assombra pode fazer o número de desempregados ultrapassar 20 milhões de brasileiros. Há uma brutal descontinuidade da destinação de recursos para as políticas públicas no campo da alimentação, educação, moradia e geração de renda”, afirma ainda outro trecho do documento.

O texto é assinado, entre outros, pelo arcebispo emérito de São Paulo, dom Claudio Hummes, pelo bispo emérito de Blumenau, dom Angélico Sandalo Bernardino, pelo bispo de São Gabriel da Cachoeira (AM), dom Edson Taschetto Damian, pelo arcebispo de Belém (PA), dom Alberto Taveira Corrêa, pelo bispo prelado emérito do Xingu (PA), dom Erwin Krautler, pelo bispo auxiliar de Belo Horizonte (MG), dom Joaquim Giovani Mol, e pelo arcebispo de Manaus (AM) e ex-secretário-geral da CNBB dom Leonardi Ulrich.


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