quarta 27 janeiro 2021
Artigo

A impaciência do paciente

BAROLÉ 

Na qualidade de servidor público, meu plano de saúde é o Iamspe. Aquele que é ruim com ele, mas pior sem ele. Assim sendo fui procurar o médico que estava cuidando da minha “maquina”: um cardiologista conceituado da cidade, para fazer aquele acompanhamento semestral.

Para meu desencanto, já não havia mais vaga para este mês. Foi aí que entrei em contato, via telefone, com o escritório de outra cidade que me recomendou um médico de lá. Marcados data e hora, apareci por lá, rigorosamente no horário combinado.

Logo na entrada estava o nome do médico e sua especialização: Cardiogeriatra. No alto dos meus 77 anos, concordei: aqui mesmo que é o meu lugar. Fui recebido por uma recepcionista de meia idade, porém simpática. Não gostei da balança que ela me fez subir: um tanto quanto das antigas e desregulada, pois, acusou excesso de peso.

Uma vez dentro do consultório, fui recebido por um médico das antigas, gordo, semi-calvo e o pouco cabelo que lhe restava, totalmente branco, com uma aparência de 80 anos ou mais. Usava uma camiseta polo branca e barata. Até que ele foi gentil e sem pressa. Fez as perguntas de praxe: se fumava, bebia, dormia bem, etc. Eu o avisei que tinha colesterol, ácido úrico, triglicérides, pré-diabético. Todas sob controle.

Ao deixar a cadeira para medir a minha pressão o fez com dificuldade de locomoção. Chamou a secretária que o ajudou a me submeter a um eletrocardiograma. Pressão e eletro normal.

Após sentar novamente na sua cadeira de couro desbotado, me disse que o meu único problema era a obesidade. Odeio esta palavra, me parece uma doença grave, por que não dizer logo que o paciente está gordo. Assim todos entenderão.

Foi aí que começou o “perrengue”: ele disse que eu precisava emagrecer. Que novidade! Todo médico diz isso. Me passou uma dieta rigorosa: de manhã meio pão francês sem o miolo e passado na chapa; às dez horas uma fruta; no almoço legumes e verduras à vontade com pouco sal; faz um sopão de legumes e à tarde come um prato raso. Me aterrorizou: recomendando se eu não perder peso, sou um forte candidato a sofrer um infarto.

 — Quero o senhor de volta aqui dentro de 30 dias com cinco quilos a menos e daqui a um ano e meio com 15 quilos a menos — sentenciou ele. Foi aí que o paciente perdeu a paciência.

— O senhor já fez essa dieta Doutor? - Já satirizando o diálogo. Pelo visual não, mas o senhor sabe que funciona. É como a história da mini-saia: fica bem na mulher dos outros não?

E tirei a minha própria conclusão: se eu não fizer a dieta, não vou emagrecer e corro o risco de enfartar dentro de um ano e meio, segundo o diagnóstico médico, mas, se eu fizer essa dieta maluca, posso morrer bem antes de fome. Obrigado Doutor. Passe bem!

 Lécio Batista

(ba.role@hotmail.com

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