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Jales e seu tempo

Perspectivas por MARCO ANTONIO POLETTO
10 de junho de 2018
Marco Antonio Poletto
“Não vejo em mim a obrigação de advogar por esta cidade, pelo simples motivo de nunca me sentir, necessariamente, nativo de lugar nenhum! É aquela velha máxima de “cidadão do mundo”, mas, apesar de tudo, como jalesense que sou não por título de cidadania (coisas de vereadores medíocres), já que nasci aqui e, principalmente, pelo momento de estagnação em matéria de lazer que se encontra nossa cidade, sinto-me agora (e como!!!) na obrigação de fazê-lo! Apesar dos pesares”.
Eu acho que a gente não tem idade e sim vidas, e muitas! Nestas minhas muitas vidas, tive a oportunidade de conhecer muita gente, apesar de ter passado uns bons anos fora desta terrinha. Gente que já se foi, gente que está por aqui, por aí.  Gente que nasceu, viveu e morreu em Jales. Gente que veio nos visitar e nunca mais foi embora. Gente que por aqui veio para trabalhar nos mais diversos setores, gente que constituiu famílias. Enfim, gente... como a gente, que gosta de Jales!
Num reencontro na cidade de Araçatuba, em um dia triste de minha vida, com uma doce e querida amiga, que foi levar seu abraço e conforto, veio à lembrança do Jales Forever, que era realizado no Clube do Ipê. Naquela pausa, necessária, para a reflexão, nos lembramos de tantas coisas da famosa Jales: antiga e atual. Da antiga... saudade! Da atual... um pouco de tristeza pela falta de lazer. Foi aí que ela se lembrou dos famosos reencontros do Jales Forever no Clube do Ipê. Lembramo-nos, também, de pessoas que fizeram história ou anônimas, as quais, de alguma forma, foram lembradas nesse papo agradável, informal e com um pouco de lagrimas. 
O retorno de algumas pessoas é o amor pela cidade, nesse rebento de continuar o que alguém já tinha começado, é de quem tem orgulho de ser jalesense.
Pensar em Jales hoje é não ter partido político. É não querer articular ou manipular; é ter por missão sensibilizar as pessoas e, principalmente, os mandatários em relação, por exemplo, às árvores e natureza que habitam nosso entorno, praças, parques, campos, avenidas, caminhos do dia a dia, melhores oportunidades de trabalho, planejamento e desenvolvimento que formam a qualidade de vida e estão ligadas à integração do indivíduo e com o lugar onde vive. Por tudo isso, necessitamos de pessoas determinadas e organizadas para coibir a destruição do nosso patrimônio (vide como exemplo o glorioso Clube do Ipê) histórico e não de pessoas sem o mínimo de consciência de tudo isso. Valorizando a cidade, estamos cooperando, acima de tudo, conosco mesmos e com nossa memória.
Escolhi esse enfoque por um simples motivo: já há algum tempo ouço reclamações sobre o chão onde pisamos: buracos, desleixo com o bem público, incompetência, falta do que fazer, festas... algo diferente.
Tudo que alguém que tem a oportunidade puder fazer por Jales será bem-vindo. É a famosa recíproca: ter amor por esta terra, querer bem, quem sempre nos acolheu. São poucas as cidades pequenas que são como Jales: bem localizada, estrategicamente, entre três estados e com uma malha rodoviária interessante. 
Espero não estar sendo mal interpretado. Claro que o jalesense ama sua terra. Definitivamente. Admiro seu interesse pelas suas raízes e seus costumes e outras peculiaridades encontradas somente aqui. Quando falo para alguém de onde sou, explico tudo isso: é uma cidade pequena, mas tem isso e aquilo. A simplicidade, associada a sua beleza natural, é o que faz de Jales um lugar especial. Mas, então, por que as reclamações com a falta de lazer, como citei acima? Simples. A resposta está na palavra rotina. Seja aqui, sombrio ou em qualquer outro lugar do mundo, a rotina gera stress, insatisfação com o seu cotidiano. São Paulo, a cidade com mais opções de lazer e trabalho é a campeã de stress.
A qualidade de vida está nos pequenos centros, acreditem. Dar valor ao seu chão é valorizar suas raízes e sua própria existência. Assim é a vida, cíclica, ininterrupta, com dias plenos de encantos e muita saudade. Às vezes de noites negras como temporais. O segredo de tudo isso é estabelecer os limites entre o bom e o ruim, a paz e a tormenta, a alegria e a dor, os sonhos, a saudade e o palpável. 
Ah!!!!!! Amigos vamos reativar o JALES FOREVER.

Marco Antonio Poletto 
(é gestor no Poder Judiciário, Historiador, Articulista e Animador Cultural)