quarta 14 abril 2021
Geral

Médica portuguesa diz que população respeita confinamento

Desde o início da pandemia do coronavírus, o Jornal de Jales vem publicando uma série de entrevistas, ouvindo pessoas que moram no exterior para procurar saber como está a situação nesses países e como cada um está enfrentando o problema.

Nesta edição, a entrevistada é Sónia Catarina Traqueia André, de 45 anos, formada pela Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, especialista em Pneumologia e Medicina Extensiva. O grau de Especialista em Pneumologia é reconhecido pela European Uninou of Medical Specialists e UEMS section of Pneumology. Ela também é convidada da cadeira de Medicina 1 do Mestrado Integrado de Medicina do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, da Universidade do Porto. Sua trajetória profissional inclui ainda atividade como médica do Serviço de Medicina Intensiva do Centro Hospitalar e Universitário do Porto.

Sónia tem vinculações com Jales. É casada com o engenheiro brasileiro Alexandre Esper, irmão da cirurgiã dentista Helen Esper de Carvalho, esposa do também dentista Carlos Alberto de Carvalho (Beto).

J.J. - Em Portugal, o isolamento social é horizontal ou vertical?  

Dra. Sónia - Isolamento horizontal, não há a seleção de grupos específicos, sendo recomendado que todos fiquem em casa. Desde 18 de Março de 2020, quando foi decretado pelo Governo Estado de Emergência em Portugal para conter a pandemia, existem limitações à circulação dos cidadãos, mantendo em funcionamento estabelecimentos que assegurem bens de primeira necessidade, como: padarias, mercearias, supermercados, bombas de gasolina, farmácias e quiosques.

J.J. - O povo tem apoiado as determinações do governo?

Dra. Sónia - As medidas implementadas pelo governo estão sendo respeitadas pela população em geral, que se tem comportado de forma responsável tendo em conta a gravidade e o elevado risco de transmissão da infecção. É respeitado o distanciamento social, várias áreas recorrem ao teletrabalho como empresas e escolas, tendo assim mantido a sua atividade a partir de casa.

J.J. - Como médica intensivista, seu ritmo de trabalho aumentou depois da Covid-19? 

Dra. Sónia - Verificou-se um aumento do ritmo de trabalho, os horários são de turnos de 12 ou 24 horas e com necessidade de mais recursos humanos.

O trabalho é bastante exigente quer do ponto de vista físico quer mental, com enorme risco de infecção dos profissionais de saúde, tal como se tem constatado pelos os números já registados. As equipas nos vários departamentos ficam cada dia mais pequenas, por muitos COVID positivos entre nós.

J.J. - Os hospitais portugueses estão com estrutura suficiente para o enfrentamento da pandemia? 

Dra. Sónia - Os hospitais têm ajustado os recursos às necessidades impostas pelo aumento do número de casos com critérios de internamento, destes cerca de 5% em cuidados intensivos. Durante este período os hospitais têm criado circuitos específicos para receber e acompanhar casos COVID+ distanciando-os dos outros doentes. Mobilizam-se recursos humanos como médicos, enfermeiros e auxiliares, de áreas não prioritárias ou de atividades que foram suspensas, para ajudar nos cuidados a estes doentes. Suspenderam-se consultas ou promoveram períodos de teleconsulta em determinadas especialidades. As cirurgias não urgentes foram adiadas, transformaram-se enfermarias para acolher doentes infectados com COVID 19. Foram aumentados os leitos de cuidados intensivos e ventiladores, tendo sido possível até aqui dar resposta às necessidades crescentes que se têm vindo verificado.

J.J. - Em relação à Itália e Espanha, qual é a situação de Portugal  

Dra. Sónia - Hoje Portugal tem tido menos doentes e mortes relativamente à Espanha e Itália numa fase comparável, o que não significa que o número de casos não continue aumentando, não sabendo prever qual o total no fim desta pandemia.

Tem-se verificado um abrandamento no crescimento do número de infectados, que resultou provavelmente de uma menor taxa de transmissão da doença, pelas medidas governamentais já referidas. Isso dá margem de manobra ao Sistema Nacional de Saúde para ir mantendo a sua capacidade de resposta no atendimento destes doentes.

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