domingo 28 novembro 2021
Perspectivas

Setembro Amarelo

A data de 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. No Brasil, desde 2014, a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) aproveitaram para organizar o Setembro Amarelo, mês oficial de combate ao autoextermínio, quando a visibilidade do problema é ampliada por meio de campanhas de esclarecimento e divulgação de dados.

Claro que a campanha de prevenção acontece durante todo o ano com o apoio dos profissionais da Saúde, da Educação, da imprensa e demais interessados. Há, inclusive, um site para auxiliar todos que desejam ajudar (https://www.setembroamarelo.com). E em todos os meses de setembro as ações são reforçadas para combater este problema que se agrava em nível global.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, a cada 40 segundos, uma pessoa comete suicídio, o que equivale a menos de um milhão de indivíduos no mundo por ano. No país, de acordo com os organizadores do Setembro Amarelo, são registrados mais de 13 mil autocídios anualmente, a maioria entre jovens. Cerca de 96,8% dos casos de estavam relacionados a transtornos mentais. Em primeiro lugar está a depressão seguida do transtorno bipolar e do abuso de substâncias, inclusive bebidas alcóolicas (tão comumente aceitas – e às vezes até estimuladas - na nossa sociedade).

Como professora há 30 anos, sempre trabalhando com jovens, tenho a triste experiência de perder alunos todos os anos para este problema. Em um ano específico perdi três, dois no mesmo dia. Este ano, infelizmente, não foi diferente. A dor é imensa. A sensação de impotência é avassaladora. E as perguntas que não querem calar são sempre as mesmas: “por que eu não percebi?”, “o que eu poderia ter feito pra salvar essa vida?”.

Os meus lutos por alunos suicidas me ensinaram que estamos no caminho errado. A sociedade da competitividade tóxica, do mundo irreal do Instagram (eleita, desde 2017, a rede social mais nociva para a saúde mental dos jovens no mundo de acordo com um estudo do Reino Unido) e da violência exacerbada dos discursos de ódio na internet caminha para a autodestruição.

“A sociedade do cansaço” descrita pelo filósofo Bying-Chul Han - onde o ser humano é o carrasco de si mesmo em busca da produtividade doentia – e os altos índices da Síndrome de Burnout (do esgotamento físico e mental) só provam que o mundo está doente, mas os jovens estão morrendo primeiro.

Ter a aparência ideal (e haja filtro para as fotos das redes sociais), conquistar os primeiros lugares sempre (porque não há vagas, trabalho e dignidade para todos) e não aceitar os próprios limites são situações que pais e educadores precisam trabalhar melhor na formação dos jovens se quisermos mantê-los vivos.

 Ayne Regina Gonçalves Salviano

(É jornalista, professora mestre em Comunicação e Semiótica. Empresária no ramo da Educação em Araçatuba e Birigui)

Desenvolvido por Enzo Nagata