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Um distúrbio pouco conhecido, mas causador de muitos problemas comuns

por Luís Falcão
08 de julho de 2018
Luís Falcão (médico endocrinologista Jales-SP/ (17) 3632-2092)
A resistência insulínica é uma situação onde há um desequilíbrio entre a quantidade de insulina produzida pelo pâncreas e o funcionamento desta quantidade de insulina. Para simplificar, em uma pessoa sem resistência insulínica, é como se uma molécula de insulina tivesse a capacidade de colocar uma molécula de glicose dentro da célula, porém, na pessoa com resistência, fosse necessário duas ou mais moléculas de insulina para realizar o mesmo trabalho. No organismo, a conta não é bem esta, mas a perda de funcionamento de insulina ocorre de forma bem semelhante quando esta resistência aparece.

CAUSAS
A principal consequência e causa da resistência insulínica é o ganho de peso. Com o ganho de peso e o aumento do tecido adiposo, há maior necessidade do pâncreas produzir insulina e, com isso, o ciclo da resistência insulínica se inicia. Quanto mais insulina é produzida, mais as células tendem a se proteger do excesso dela, e mais aumenta a resistência insulínica e mais peso se ganha e mais dificuldade de perde-lo. Em determinado momento a glicose sanguínea começa a se elevar e inicia-se o diabetes.
Outras condições como gestação, síndrome metabólica, hipertensão arterial, colesterol elevado, síndrome do ovário policístico, esteato-hepatite não alcoólica (esteatose hepática, mais conhecida como gordura no fígado) também podem levar à resistência insulínica ou serem consequência dela.

FATORES DE RISCO
O maior fator de risco para resistência insulínica é a obesidade. Com o ganho de peso há o aumento do tecido adiposo, o que faz com que o pâncreas tenha necessidade de produzir insulina e esse excesso de insulina faz com que a facilidade de ganhar peso e dificuldade de perder se instale.

SINTOMAS DE RESISTÊNCIA À INSULINA
Geralmente a resistência insulínica é assintomática, porém se está associada com outras causas, pode vir a ter sintomas.
Se está associada com ovário policístico, a resistência insulínica pode se apresentar como a Síndrome Hair-na, que é caracterizada por:
Aumento de pelos pelo corpo
Acne e oleosidade na pele
Menstruação irregular
Escurecimento da pele em regiões de dobras de braço, axilas e pescoço, chamado de acantose nigricans.
A acantose nigricans não é um achado restrito da síndrome Hair-an, ela pode ser vista em casos de resistência insulínica sem associação com ovário policístico.

DIAGNÓSTICO E EXAMES
Buscando ajuda médica
A resistência insulínica é geralmente identificada nos exames laboratoriais de rotina, e também nos casos em que há suspeita clínica. Nos pacientes que estão com sobrepeso e obesidade, ou que apresentam alterações de colesterol, pressão alta e nos casos de gestantes com alterações de glicemia, a resistência insulínica deve ser sempre pesquisada.

EXAMES
Os exames de sangue são os principais aliados no diagnóstico da resistência insulínica. A dosagem de glicose de jejum, insulina de jejum e o cálculo do marcador chamado de HOMA-IR fazem com que o diagnóstico seja relativamente simples.
O HOMA-IR consiste em uma fórmula padronizada que calcula o nível de resistência insulínica de uma pessoa a partir dos valores de glicemia, insulina e uma constante.
Um outro teste bastante usado é o teste oral de tolerância à glicose, que vai nos mostrar a resposta do pâncreas em produzir insulina a partir da sobrecarga com glicose. Nele a pessoa recebe uma quantidade predeterminada de glicose e são dosados os níveis de glicemia, e se necessário de insulina em tempos predeterminados após a ingestão da glicose.
Muitas vezes os pacientes com resistência insulínica podem apresentar esteatose hepática –vista no exame de ultrassom de abdômen, por exemplo, e também aumento no nível dos triglicérides no sangue a ferritina aumentada.

TRATAMENTO E CUIDADOS
Tratamento de Resistência à insulina
Uma vez feito o diagnóstico, ele pode significar um passo em uma estrada que termina no desenvolvimento do diabetes. Sendo assim, é preciso iniciar o tratamento da resistência insulínica. 
Hoje já existem medicamentos que ajudam a diminuir essa resistência e muitos outros estão em estudos, o que vai auxiliar no tratamento das doenças ocasionadas, inclusive a obesidade.

CONVIVENDO (PROGNÓSTICO)
Complicações possíveis
A principal complicação da resistência insulínica é o desenvolvimento do diabetes e obesidade, mas muitas outras condições podem estar ligadas diretamente ou indiretamente a ela, como: fígado gorduroso, e dificuldade de engravidar, queda de cabelo, acnes, aumento de pelos faciais, aterosclerose, ovários policísticos, irregularidades menstruais, dislipidemias, hipertensão arterial, aumento da gordura visceral, etc. Dessa forma, o paciente com resistência insulínica deve ser avaliado globalmente.

PREVENÇÃO
Após uma cuidadosa avaliação da história pregressa e familiar do paciente, com o auxílio de exames complementares comuns e acessíveis, podemos observar o quanto de resistência ele possui e quais medidas e medicamentos vão auxilia-lo no tratamento.

Luís Falcão 
(médico endocrinologista Jales-SP/ (17) 3632-2092)