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Uma cidade para todos

Editorial
08 de janeiro de 2018
Com este título no espaço nobre que reflete a opinião de todos os jornais, o leitor do J.J. é levado a acreditar, principalmente por ser esta a primeira edição de 2018, que haverá alguma reflexão sobre as perspectivas do ano que está começando.
De certa maneira, até que faz sentido. Mas, o nosso objetivo, na edição de hoje, é ecoar um texto publicado na edição especial  de 24 de dezembro, que deve ter sensibilizado todos aqueles que têm um mínimo de visão comunitária.
De autoria do bancário aposentado Anísio Martins Ferreira Filho, presidente da Associação dos Deficientes Físicos da Região de Jales (ADERJ), ele abordou um tema para o qual, via de regra, a maioria da população faz vista grossa: acessibilidade
Depois de lembrar nos primeiros parágrafos que, em decorrência da melhoria da expectativa de vida no Brasil, as estatísticas indicam que será cada vez maior o número de idosos, ele vai ao cerne do problema ao afirmar que também será maior o número de deficientes físicos, visuais, auditivos, mentais e de deficiência múltipla devido a acidentes, traumas cerebrais, complicações agudas ou crônicas de saúde ou de pessoas com mobilidade reduzida devido à idade avançada.
Em seguida, de peito aberto, o presidente da ADERJ  entra no aspecto local, referindo-se inicialmente ao fato de que Jales é considerada centro de região, acolhendo moradores de cidades vizinhas para tratamento de saúde,consumir no comércio e usufruir os serviços à disposição.
E depois pondera: Jales precisa se adequar para o recebimento de seus visitantes, mas primeiramente verificar se atende aos seus moradores. Se, escreveu ele, uma casa não está\ propícia aos seus moradores, o recebimento de uma visita terá maiores transtornos.
Em seguida, em tom respeitoso, mas direto, Anisinho dispara: “Há vários anos não se disponibiliza recursos obrigatórios nas peças orçamentárias para acessibilidade. Quando tais melhorias ocorrem, são mínimas, inócuas ou inexistentes. O Estatuto do Deficiente estabelece obrigatoriedade de recursos para a acessibilidade, sob pena de improbidade administrativa”.
Na sequência, ele foi mais fundo: “a fiscalização é inexistente ou tímida; o fiscal de posturas não cumpre suas funções, a vigilância sanitária não cumpre as exigências de acessibilidade estabelecidas em suas normas: A fiscalização de obras não observa o item acessibilidade nas construções e reformas de prédios públicos ou uso coletivo (comércio e prestadores de serviços), principalmente calçadas de uso exclusivo para o público. A maioria dos alvarás de funcionamento e habite-se está sendo fornecida sem os estudos técnicos obrigatórios”.
Enfim, o autor do texto publicado na página 9 do primeiro caderno da Edição Especial da Retrospectiva 2017 merece ser lido por quem não o fez e relido por quem, inebriado pelos sinos de Natal, não tenha se dado conta de que, efetivamente, a cidade é para todos!