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Vale a pena ver (e ouvir) de novo

Editorial
17 de julho de 2017
Houve um tempo em que a cidade de Jales era pura efervescência cultural. No início dos anos 70, por exemplo, o Jornal de Jales, cuja sede ficava na Rua 11, abria o pátio aos domingos para os artistas jalesenses na chamada Expô-Livre.
Nesse mesmo período, o antigo Instituto de Educação Dr. Euphly Jalles promovia o Ferece- Festival Regional da Canção Estudantil, inesquecível criação do professor Ariovaldo Luiz Moura.
Com isso, o movimento cultural jalesense pegou embalo, mobilizando a juventude, que  começou a reivindicar a construção da Casa de Cultura. Para marcar território, os cantores e compositores reuniam-se aos domingos sob as mangueiras do fórum da comarca, hoje sede da Diretoria Regional de Ensino. 
Paralelamente, as artes cênicas sensibilizavam  parte da juventude. A tal ponto que, em determinado período daqueles gloriosos anos, havia quatro grupos de teatro em atividade em Jales.
O pico da escalada artístico-cultural foi a Mocap-Mostra da Canção Popular de Jales, de 1979 a 1981, um certame musical de alto nível que atraia compositores de todas as partes do país, que se apresentavam acompanhados pelo Amilson Godoy Quinteto, integrado, entre outros, por músicos da estatura de Roberto Sion (sax), Heraldo do Monte (guitarra), Felpudo (trumpete), Dirceu (bateria).   
Quem viveu aqueles anos de glória talvez sinta falta de algo similar nos dias de hoje, mas não é bem assim. A cidade conta com muita gente de talento fazendo trabalho sério como os rapazes e moças da Escola Livre de Teatro, que realiza até festivais de nível nacional.
Ainda recentemente, a Edem Musical, que completou 40 anos de atividade, brindou os que gostam de música de qualidade com o inesquecível “Concerto a dois pianos”, em memorável jornada no Centro Cultural Dr. Edílio Ridolfo.
Mas, não é só. Na próxima sexta-feira, dia 21 de julho, haverá o 5º Concerto Solidariedade, Saúde e Música, em beneficio da Santa Casa.
Trata-se de um formato que junta no palco os 70 músicos que compõem a Orquestra Sinfônica de Jales, executando números instrumentais ou acompanhando cantores populares da cidade, com regência e arranjos do maestro Edvaldo de Paula, prata da casa.
Trata-se de um exemplo perfeito e acabado de que não existe música erudita ou popular, mas música de qualidade.
Quem nunca teve a oportunidade de assistir ao evento não deve perder a chance. Quem já assistiu às outras quatro edições anteriores  certamente não vai perder mais uma oportunidade de fazê-lo, pois vale a pena ver (e ouvir)  de novo.