quinta 13 maio 2021
Artigo

Ano novo, vida velha? Essa não!

Quando se aproxima a época de final de ano quase automaticamente nós começamos a fazer um balanço da vida e estabelecer alguns propósitos para o ano novo: fazer regime, retomar cursos e exercícios físicos, ser mais amável com as pessoas, dar mais tempo para a família, enfim, são algumas situações que as pessoas valorizam e querem recomeçar a praticar. Na vida espiritual também precisamos sempre fazer um balanço da nossa realidade pessoal. Na verdade, Deus nos chama para termos comunhão com Ele de tal forma que nossa vida seja mudada a partir deste encontro. Podemos até dizer que a vida cristã normal é aquela em que a pessoa experimenta mudança no comportamento, no caráter e na maneira de enxergar a vida através da “renovação da mente” (Romanos 12.2). É natural, portanto, que estejamos em constante aperfeiçoamento na vida, descobrindo novas formas de viver para a glória de Deus.

Como consequência desta reflexão, uma realidade se torna óbvia para nós: precisamos melhorar em muitos aspectos da vida. Esta é a razão que levou o apóstolo Paulo a mostrar o valor da graça de Deus para a nossa salvação, dizendo que, agora, devemos andar em “novidade de vida” (Romanos 6.4). Ao apontar para este aspecto da salvação Paulo aponta várias vezes para a morte de Cristo neste capítulo, apontando o sacrifício de nosso Salvador como um ato de extremo amor do Pai por nós para que fôssemos libertos da condenação. Esse ato não foi em vão! Deus requer de nós o compromisso da obediência pelo amor, da busca pela santidade voluntária e pela consagração de nossa vida como expressão de gratidão. Complementando essa ideia, Paulo fala em Romanos 12.1 que devemos oferecer a Deus o nosso corpo como “sacrifício vivo, santo e agradável a Deus” de forma racional. No sistema de culto do velho Testamento um animal específico era consagrado a Deus perante o sacerdote que o oferecia em holocausto ao Senhor. A ideia do Novo testamento, porém, é de que somos a oferta e o ofertante. Não vivemos mais para nós mesmos, mas para agradar ao Senhor naquilo que Ele nos diz em Sua Palavra.

Há muitas coisas que podemos mudar em nossa vida: podemos mostrar mais carinho à família e ao nosso próximo, podemos ajudar mais nossos parceiros de caminhada com palavras de encorajamento, podemos buscar uma maior valorização da comunhão com Deus através da oração e da leitura e reflexão da Bíblia, organizar melhor nosso tempo e nossos bens (tudo vem de Deus e consagramos tudo a Ele), enfim, há muitas maneiras de buscarmos algo diferente e novo para que nossa vida seja mais parecida com o caráter de Cristo.

Antes de terminar, duas observações: não conseguimos mudar a nós mesmos. Queremos mudança, mas não temos força para a execução. Isso mostra que até mesmo para isso precisamos de um poder maior que o nosso. E esse poder vem de Deus, afinal Ele é quem nos chama. Outra questão é termos sempre em mente que vida cristã não se refere apenas à um padrão de conduta moral, mas, também, em um relacionamento íntimo com Deus. A plenitude da comunhão com Deus se dá quando abrimos o coração diante dEle, quando temos liberdade para expressar nosso amor, nossa gratidão, nossas falhas e nossa confiança nEle.

Essa análise de vida, embora seja mais comumente realizada em épocas de fim ou início de ano, pode ser feita de tempos em tempos. Ao final de cada dia podemos pedir em oração que o Senhor sonde e corrija nossos passos, além de nos iluminar para que nosso coração seja totalmente consagrado a Ele.

Meu desejo é que todos juntos possamos ter uma caminhada abençoada e, quando chegarmos ao fim da jornada, termos a certeza de que tudo valeu a pena.

Que Deus te abençoe.

 Rev. Onildo de Moraes Rezende

(Pastor da Igreja Presbiteriana de Jales, Bacharel em Teologia, Licenciado em Pedagogia, Pós-Graduado em Docência Universitária, Mestre em Aconselhamento)

CRP 136588/6


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