domingo 20 junho 2021
Editorial

É dando que se recebe

No dia 15 de março, a cidade foi sacudida por um estridente movimento de comerciantes cujas atividades ficaram fora dos chamados setores essenciais de acordo com a classificação delimitada pelo Plano São Paulo de Contingência da Covid-19.

Como informou este jornal, inconformados com a exclusão de seus estabelecimentos dos setores que poderiam funcionar, pequenos e médios comerciantes, literalmente, resolveram botar o bloco na rua no formato de carreata, encerrando a mobilização com inflamados pronunciamentos na porta de entrada da Prefeitura e aos gritos de “queremos o prefeito”.

Depois de algum tempo, o alcaide decidiu receber representantes do grupo que protestava, mas o fez avisando, de cara, que não sairia um milímetro do que estava escrito no decreto estadual, reproduzido quase na íntegra pelo ato oficial em nível de município.

Mas, o grito dos excluídos não foi exclusividade dos jalesenses e manifestações semelhantes ainda estão vivas.

Por exemplo, na última quarta-feira, 28 de abril, portanto 43 dias depois, em Informe Publicitário de página inteira publicado no “Estadão” e “Folha”, intitulado “O comércio pede socorro”, 48 entidades de patrões e empregados fizeram apelo desesperado no mesmo sentido, dando números assustadores —1) 25% do comércio quebrou e não volta mais; 2) 15 milhões de empregos dependem do comércio aberto; 3) 30 milhões de brasileiros já estão desempregados; 4) não há vacina contra desemprego e fome.

Não é exagero dos signatários. Aqui mesmo, sob nossos olhos, só não vê quem não quer. Se alguém tiver o cuidado de subir a Rua 10, no trecho entre as Ruas 1 e 15, ficará chocado, tal o número de salões fechados com placas de “aluga-se”.

Mas, tudo indica que caiu a ficha dos donos da bola. Por exemplo, o governo federal acaba de editar Medida Provisória restabelecendo dois programas de ajuda a pequenos e microempresários e acena com pagamento antecipado do 13º salário a aposentados e pensionistas. De sua parte, o governo estadual está anunciando o “Bolsa do Povo”, de caráter social, para fazer frente a estes tempos de pandemia. E a Prefeitura de Jales lançou um Programa de Refinanciamento de Dívidas Tributárias (Refis) vencidas até 31 de dezembro do ano passado.

É o mínimo que estes entes federados devem fazer em favor de quem vem pagando a conta de tempos tão diferentes.

E mais: preservar vidas e manter empresas vivas não são opções excludentes. Ao contrário, trata-se de uma via de mão dupla que remete à máxima de São Francisco de Assis: é dando que se recebe.


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