sexta 17 setembro 2021
Manchete

Ensino chinês chega ao Brasil com mandarim, inglês e até 10 horas de aulas

Thiago na Praça Tiananmen em frente à Cidade Proibida 

Por Roberta Jansen (O Estado de S. Paulo)

Um dos maiores produtores mundiais de vacinas, principal parceiro comercial do Brasil e líder em Ciências e Educação, a China chegou à rede educacional brasileira. Foi aberta no Rio a primeira Escola Chinesa Internacional, criada com o financiamento de empresários chineses que vivem no País e com apoio do governo chinês. O objetivo, segundo o site da escola recém-inaugurada, é proporcionar ensino de referência internacional. O modelo será o da educação básica chinesa, em ambiente trilíngue: mandarim, português e inglês.

A escola já investiu R$ 3 milhões em tecnologia. Tem tablets e quadros-negros digitais e um robô que conversa em mandarim com os alunos, corrigindo sua pronúncia. O plano é abrir, ainda este ano, uma filial em São Paulo – onde a comunidade chinesa é muito maior.

Os chineses sentiam falta de uma escola que garantisse a educação integral de seus filhos no País, com ensino de mandarim e acesso a universidades chinesas. A China é o maior parceiro comercial do Brasil há mais de dez anos. Cerca de 300 mil chineses vivem no País.

Dezenas de empresas chinesas têm filiais no Brasil, sobretudo no Rio e em São Paulo. Além do mandarim, a escola mantém o currículo chinês, que é muito mais avançado em Matemática do que o brasileiro, por exemplo. Também preza os ensinamentos do filósofo Confúcio (551 A.C./479 A.C.), entre outros aspectos da cultura e tradição chinesas. Os alunos aprendem ópera e até culinária da China. A ginástica laboral – uma tradição nas escolas e empresas chinesas – também está presente.

“Muitos de nós, chineses, viemos para o Brasil já adultos; crescemos e estudamos na China”, afirma o empresário Zheng Xiamao, um dos investidores da escola. “Mas nossos filhos nasceram aqui, e percebemos que eles perderam um pouco da identidade, das raízes chinesas. Às vezes não tínhamos nem tempo de ensinar o mandarim.”

Chineses que vivem no Brasil contam que precisaram mandar os filhos de volta à China, ainda pequenos, para garantir que aprendessem a língua e tivessem garantido o acesso às universidades chinesas. Com o currículo brasileiro, é praticamente impossível ingressar no ensino superior no país asiático.

“No Brasil e em outros lugares do mundo existem escolas alemãs, britânicas, americanas. Por que não chinesa?”, questionou Xiamao. “Elaboramos então esse projeto de termos uma escola 100% chinesa.”

Um jalesense na China

Bacharel em Relações Internacionais pela Facamp-Campinas, especialista em Negociações Internacionais pela Unesp e mestre em Práticas de Desenvolvimento Urbano pela Universidade de Queensland (Austrália), o jalesense Thiago Nossa Neto, viveu seis meses na China com o objetivo de aprender mandarim em uma das melhores universidades daquele país.

Segundo ele, foi uma rica experiência tanto do ponto de vista do aprendizado do idioma quanto do lado pessoal.

Thiago é filho de Rosângela Nossa Neto e do advogado Carlos Alberto Expedito de Brito Neto. Nesta entrevista ao Jornal de Jales, quando chegou, ele revelou o que viu e sentiu no país mais populoso do mundo...

J.J. - O inglês é considerado o idioma universal. Por que você resolveu estudar mandarim na China?

Thiago Neto - Escolhi estudar mandarim na China, não apenas pelo conhecimento da língua em si, mas com a intenção de conhecer de perto a cultura e a civilização chinesa.

J.J. - Antes de ir estudar na China, você já tinha alguma noção de mandarim?

Thiago Neto - Sim, estudei mandarim durante um ano na sede do Instituto Confúcio na UNESP.

J.J. - Você teve que fazer algum teste para ser aceito como aluno na universidade?

Thiago Neto - Sim. Para ser aceito precisei dos exames de proficiência em língua chinesa, HSK e HSKK, com a nota mínima exigida.

J.J. - Por que você escolheu exatamente esta universidade?

Thiago Neto - Na verdade não escolhi a universidade. O Instituto Confúcio no estado de São Paulo é uma parceria entre a UNESP e a Universidade de Hubei. No entanto, por questões administrativas fui alocado para outra universidade.

J.J. - Na turma que você estudou havia mais brasileiros ou alunos de outras partes do mundo?

Thiago Neto - Na minha turma havia alunos de vários lugares do mundo. Havia alunos da Indonésia, Tailândia, Rússia, França, Ucrânia, Madagascar, Camarões, Camboja, Coréia do Sul e Sudão. (J.J. 01/03/15)


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