quinta 13 maio 2021
Artigo

O Palmeiras não tem mundial

O campeonato paulista de 2021 não poderá ser acompanhado por palmeirenses quando o time enfrentar o Corinthians. Se algum porco insistir em fazê-lo, que o faça em silêncio, mesmo que o time comandado pelo técnico Mancini exiba um mau futebol. Ninguém da rua Turiassu está autorizado a comentar, seja tática ou tecnicamente, eventuais erros de Cauê, Fábio Santos ou Cássio. E não adianta ser flagrado pelo VAR ou pela estreante juíza Edina Alves. Tudo porque, segundo os gambás, o time do parque antártica não tem mundial, um demérito que por si só desqualifica comentários e embasa essa sentença, que é o uso eterno da mordaça.

O mesmo modo vem acontecendo no campo político desde a polarização que o pleito presidencial de 2018 fez desabrochar. Para quem ouse criticar o bolsonaro way of life, o mantra “você preferiria o PT?” é imediatamente acionado. A discussão, então, corre para a gaveta tão rapidamente quanto a falta do título mundial palmeirense, sem possibilidade de contra-argumentos. Mesmo que 49.276.990 de um total de 147.305.079 brasileiros tenham optado por Jair e 31.342.005 preferido Lula e seus postes, a maioria absoluta (66.686.084) não queria nem um nem outro e, por isso votaram branco, nulo, abstiveram-se ou escolheram os outros candidatos participantes do pleito.

Uma geração inteira nasceu privada do direito de votar para presidente e governador. Quando o conquistou a duras penas em 1988 o fez entendendo as regras do jogo que, afinal, ela própria ajudou a forjar. São pessoas que sabem que a cada quatro anos é delegada a uma chapa um mandato que não pode ser encerrado antes do tempo, exceto quando couberem motivos previstos na constituição. Sendo composta de pessoas acostumadas ao debate e ao contraditório, participativas por sua própria natureza, não se esquiva de criticar, nem de apoiar. Só não admite ser excluída, nem ignorada.

Os filhos do golpe de 64 tiveram a coragem de contradizer o que lhe fora imposto, simplesmente porque não lhe era justo. Quem nasceu sob o jugo do totalitarismo o rechaça em igual intensidade. Sabe, por exemplo, que mesmo aos vencidos pelas urnas não se impõe o mutismo. Se a rejeição ao atual do detentor dos 49.276.990 votos está em 40% da população total, a leitura a ser feita é a de que existe algo muito errado e que não se explica porque prefeririam seu mais direto opositor. Vimos linhas acima que também não o queriam. O Palmeiras não tem mundial e a população não preferia o Lula.

 Dr. Manoel Paz Landim

(Cardiologista, Mestre em Medicina pela FAMERP, Preceptor e Médico do Ambulatório de Hipertensão do Departamento de Clínica Médica da FAMERP, São José do Rio Preto)

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