segunda 21 junho 2021
Artigo

O valor da letra maiúscula em um texto

MEDICINA/EVIDÊNCIA

A Dr.a Mary Norine Walsh, MD, médica diretora do heart failure and cardiac transplantation do St. Vincent Heart Center de Indianapolis nos EUA fez um alerta sobre a necessidade de manter a qualidade da força de trabalho e do nível de excelência da produção dos cardiologistas da sua instituição, visto que um em cada quatro deles com idade igual ou superior a 61 anos está se aposentando. Enquanto aquela que é uma das instituições cardiológicas de maior prestígio no mundo se preocupa em manter a qualidade de seus profissionais, aqui no Brasil se tornou rotina as prefeituras admitirem médicos para atendimento nos SUS sistemas públicos de saúde servindo-se de ‘pregões presenciais’ para as empresas especializadas em fornecimento de profissionais médicos. A contratação de médicos, então, se dá no mesmo nível dos demais itens bancados pela municipalidade, como a aquisição de ração para cães e gatos, de fraldas geriátricas, de cestas básicas e para a locação de ônibus, micro-ônibus e vans. Salvo engano, o chamado pregão presencial pode ser entendido como uma espécie de ‘leilão’ onde quem oferece o menor preço – e não a melhor qualidade – ganha. Por isso, é factível questionar a qualidade dos profissionais médicos que serão contratados.

Ainda que esse seja um tema tão inusitado, ele é regulamentado pelo conselho federal de medicina por meio da RESOLUÇÃO nº 2.170/2017 de 24 de Janeiro de 2018 e, pasme-se, redigida pedindo-se para levar em consideração (sic) os seguintes artigos do código de ética médica: 51 que rege ser “vedado ao médico: Praticar concorrência desleal com outro médico”; 58: “vedado ao médico: O exercício mercantilista da Medicina” e 72 do “Capítulo VIII –REMUNERAÇÃO PROFISSIONAL – vedado ao médico: Estabelecer vínculo de qualquer natureza com empresas que anunciam ou comercializam planos de financiamento, cartões de descontos ou consórcios para procedimentos médicos”; etc...

Nada mal para um país em que grande parcela dos médicos endossa o tal “tratamento precoce do COVID”, adota como atualização científica as informações veiculadas pela imprensa leiga e grupos de whatsApp e questiona o mecanismo básico do conteúdo curricular do sétimo ano do ensino fundamental, que trata do conceito e da necessidade de vacinação da população, que é assim expresso: “ (EF07Cl10) Argumentar sobre a importância da vacinação para a saúde pública, com base em informações como a vacina atua no organismo e o papel histórico da vacinação para a manutenção da saúde individual e coletiva e para a erradicação de doenças”.

Ainda que a redação esteja clara e seu completamente inteligível, os interessados em maiores esclarecimentos podem usar os meios de comunicação disponíveis nessa publicação para sanar possíveis dificuldades de entendimento.

 Manoel Paz Landim

(Cardiologista, Mestre em Medicina pela FAMERP, Preceptor e Médico do Ambulatório de Hipertensão do Departamento de Clínica Médica da FAMERP, São José do Rio Preto)

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