quinta 13 maio 2021
Artigo

VENCI A COVID-19

Foi uma luta incansável contra esse vírus “maldito”, a Covid-19, que travei desde minha chegada em 13-12-20, no Hospital de Base de Rio Preto. Elegi esse dia o mais triste de minha vida. Fiquei na enfermaria muito debilitado aguardando meu destino para iniciar a batalha contra essa peste que vem ceifando vidas sem piedade que chega de mansinho, entra no nosso organismo e começa a fazer os “estragos” em alguns órgãos vitais.  

Confesso que mesmo diante de minha fé, tive medo de não resistir a essa luta e sabia que não seria fácil. Tive medo de deixar esse mundo prematuramente e acreditava que minha missão aqui na terra ainda não tinha terminado. Meu primeiro campo de batalha foi na UTI, lugar frio, desolado, às vezes silencioso e às vezes com barulhos de vozes de pacientes pedindo ajuda e outros perdendo suas vidas. Chegando nesse local, comecei minha luta para tentar sobreviver, com tubos de oxigênio jorrando direto ao meu pulmão o ar necessário para me manter vivo.

Lembrei que no meu arsenal eu tinha guardado uma arma poderosa e que confiava e iria me ajudar a me defender desse vírus maldito, e com ele na mão, precavido porque sabia que passaria por momentos difíceis em qualquer lugar do hospital.

A poderosa arma que tinha era o Santo Rosário. Sem poder falar porque os tubos me impediam, comecei a clamar ao Senhor Jesus por intercessão de sua mãe, nossa mãe – Maria (Nossa Senhora) rezava com meus pensamentos e vagarosamente cumpria todos os mistérios devidos para concluir a oração.

Para minha alegria meu estado foi melhorando e fiquei tão somente 8 horas na UTI onde minha saturação teve uma reação fantástica que até o médico responsável pelo setor ficou surpreso, e como prêmio fui transferido imediatamente para o quarto de reabilitação e começar o que chamam de segunda etapa para a nova luta de vencer essa batalha, era a última. No novo campo de batalha, o quarto, era um local mais aconchegante, calmo e habitado por pessoas que tinham superado a UTI, lutadores incansáveis, mas que sabia que o local era acolhedor e teríamos condições de enfrentar o vírus maldito de frente a frente e com mais forças.

Nesse tempo de quarto, sentia no meu coração um frescor delicioso e enchia-me de esperança dando forças para nunca desistir e enfrentar a luta pela minha vida, essa força nada mais era dos amigos, irmãos e irmãs de caminhada da Igreja que cerraram batalhas nas orações para que eu fosse curado, recebia diariamente mensagens lindas de fé, esperança e de força, e creiam o exercito que estava atrás de mim me apoiando era muito grande, forte, decisivo para enfrentar esse inimigo astuto, asqueroso.

Essa foi à grande jogada que precisava para vencer a cada dia a batalha diária, e minha fé foi reavivada dando-me forças para lutar, lutar, lutar incansavelmente para sobreviver. E numa noite estava num clamor fervoroso para que Jesus e sua milícia celeste me visitassem no meu leito e realizasse o milagre para que eu tivesse uma segunda chance de vida. Meu clamor era tão forte para que o Senhor me visitasse e realizasse a obra que eu implorava a vida.

Num certo momento desisti de clamar e senti-me abandonado por aquele que tinha fé e que somente Ele tinha o poder de me curar, me levantar daquele leito e como prêmio voltar ao seio de minha família, adormeci. Durante a madrugada senti que alguém retirava do meu peito o cobertor ao qual me aquecia, senti uma mão macia, leve a me tocar e junto com ela, um vento diferente, fresco, gostoso e acordei e pensei estar sonhando, mas era real, quando abri meus olhos vi um homem de costas deixando a beira da minha cama e desaparecendo do ambiente, me emocionei porque tinha certeza que foi Jesus que ouviu minhas suplicas e me visitou.

A comprovação ocorreu no domingo, dia 20-12, onde ainda sentia aquele frescor no meu peito que ainda permanecia, e durante aquele dia meus exames foram saindo com resultados cada vez melhores e daí em diante sentia que o inimigo estava derrotado, acabado, trucidado. Grande foi minha alegria. Nesse momento alegre, lembrei-me dos amigos e amigas que não mediram esforços para orar intercedendo junto a Deus para que Ele mudasse de ideia e me desse uma segunda chance de viver.

Foi isso que ocorreu, as orações foram ouvidas e o Senhor de nossas vidas fez um pacto comigo, impondo a condição de me renovar inteiramente meu modo de viver, tirar de mim meus vícios, remover lixos que carregava no meu coração e tentar cada dia ser melhor.

Tomei posse e como prêmio recebi alta e vim para casa, junto dos meus familiares, dos amigos e irmãos de fé.

Rogo a todos e todas que se cuidem, por favor, cumpram os protocolos sanitários para tentar banir definitivamente essa peste que não tem dó de ninguém, ela se alimenta às custas de nossas vidas. Se apeguem em Deus, qualquer que seja sua preferência religiosa, mas não esqueçam que somente Ele nos salva que direciona os médicos, enfermeiros a tomarem as providências corretas para a recuperação.

Quero externar meus agradecimentos ao corpo clínico do HB de Rio Preto – médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, faxineiras que não medem esforços para atender bem, com muito amor e carinho.

Tem uma frase que marcou muito em mim – “Para grandes batalhas, Deus manda soldados fortes”, confesso que me senti esse soldado, porque luta não faltou, e eu venci. Obrigado Jales.

 OSMAR GABRIEL

Teólogo – corretor de imóveis

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