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“Potencialidades existem, porém precisam ser identificadas, divulgadas e exploradas”
Na última segunda-feira, dia 7 de maio, José Magalhães Rocha assumiu a diretoria administrativa do grupo Estrela Alimentos. Um desafio e tanto, eis que referida empresa, como é público e notório, vem operando sob o regime de recuperação judicial. Mas, nada que assuste Magalhães. Aos 56 anos e tendo ocupado postos de direção em multinacionais, inclusive ministrando cursos fora do país, ele tem quilometragem suficiente para corresponder ao que dele espera o empresário Vadão Gomes,presidente do grupo. Magalhães nasceu em Mesópolis, na juventude chegou a estudar na Escola Vocacional em Jales e depois decolou para o mundo. Engenheiro Operacional Eletrônico e Industrial, ele trabalhou durante 24 anos na Philips do Brasil, onde entrou como estagiário, em 1977, e se desligou da empresa em 2002 como Gerente Geral de Operações, tendo passado pelas unidades de São Paulo, Piracicaba, Guarulhos, Manaus e Recife.Ele chegou ao topo da carreira na DHL Logistics, a maior empresa de logística do mundo, começando como Diretor de Operações em 2002, passando a Diretor de Vendas e Marketing para a América Latina e se tornando o presidente da Unidade Brasil. Como Magalhães tem ampla visão de mundo, o Jornal de Jales foi ouvi-lo sobre as perspectivas de desenvolvimento da região de Jales... (D.R.J.)
J.J. - Por que, depois de dirigir multinacionais, o senhor resolveu voltar para a região?
Magalhães - Primeiramente por razões pessoais. Oriundo da região, desde quando a deixei em 1974, mantive o firme propósito de retorno. Em segundo lugar porque sempre acreditei que quando de uma possível aposentadoria seria um lugar onde poderia ter uma atividade com mais tranquilidade, se comparado a vida atribulada de executivo em uma cidade grande.
J.J. - Depois do retorno, o senhor fez algum investimento em Jales ou na região?
Magalhães - Sim, além dos investimentos em coisas pessoais, como casa e uma propriedade rural, também investimos em uma franquia da escola de idiomas CNA, onde a minha esposa é a franqueada e coordenadora, e em uma piscicultura no município de Rubinéia.
J.J. - Em sua avaliação, a região de Jales tem futuro?
Magalhães - Esta não pode ser simplesmente uma resposta de “sim” ou “não” uma vez que as potencialidades existem porém precisam ser identificadas, divulgadas e exploradas.
J.J. - Quais os segmentos que podem mudar o perfil da região no sentido de gerar mais emprego e renda?
Magalhães - Numa primeira análise podemos dizer do segmento da saúde, porém existem outros, talvez até em consequência deste primeiro, como indústria e distribuição.
J.J. -Especificamente em relação a Jales, o que pode fazer a cidade crescer?
Magalhães - Sobre as potencialidades a que me referi anteriormente, vamos começar pela posição geográfica, que eu prefiro chamar de “geo-logística”, da nossa cidade. Se traçarmos uma linha partindo de São José do Rio Preto em direção ao MS e uma outra partindo de Araçatuba em direção a MG, veremos que elas se cruzarão exatamente em Jales e, não por acaso, temos aí o cruzamento das rodovias Euclides da Cunha com a Eliezer Magalhães. Ligando Araçatuba com São José do Rio Preto, teremos a formação de um triângulo que, em minha opinião, seria o “triângulo” do desenvolvimento do noroeste paulista onde um dos vértices é a nossa cidade, com a vantagem de estar localizada bem no centro da nossa microregião. Desnecessário mencionar o desenvolvimento dos outros dois vértices, que aparentemente não acompanhamos, mas que ainda nos permite um crescimento. Ainda pensando em posição logística, estamos em uma das poucas regiões do estado onde podemos explorar quatro modais de transportes; rodoviário de alto nível com a duplicação da Euclides da Cunha; ferroviário, e aí ainda mais favorecido com o futuro cruzamento de duas linhas férreas a menos de 20km, com a aproximação da Ferronorte; aquaviário, uma vez que estamos próximos aos rios Grande, Paraná e Tietê, todos permitindo hidrovias e, finalmente, o aéreo, com a proximidade do aeroporto de São José do Rio Preto, que pode parecer longe, mas com a qualidade da rodovia pós duplicação ficará, em horas, mais próximo que o aeroporto de Viracopos em relação aos polos industriais de São Paulo.
Estas facilidades logísticas aliada ao fato de que, em um raio de 500 km, alcançamos 5 estados com uma população consumidora maior que de alguns países da Europa (e isto me faz lembrar que a população da Holanda, país onde passei alguns meses, é de aprox. 16milhões de habitantes) é, por si só, um grande atrativo empresarial .
J.J. - De que maneira o setor de serviços, como a saúde —Hospital de Câncer, AME, revitalização da Santa Casa — pode contribuir para que o conjunto da cidade, aí incluído o comércio, se beneficie?
Magalhães - Muito tem se falado nas oportunidades que estes estabelecimentos podem trazer para os setores imobiliários e de comércio em geral. Obviamente que isto não pode ser desprezado, porém precisamos pensar além dos entornos e contornos pois, continuando com a raciocínio mencionado anteriormente, percebemos que bem divulgadas e adaptadas politicamente tais potencialidades, podemos atrair para o nosso município indústrias e/ou distribuidores do segmento farmacêutico, a exemplo do que foi feito em Anápolis (GO) na década de 1990 (note-se que aquela cidade não possui os atrativos mencionados). Desnecessário dizer que para isto faz-se necessário grandes esforços das diversas lideranças (principalmente políticas) de nossa cidade onde deveríamos fazer o que chamaria de”conspiração do bem”.
J.J. - Jales tem uma instituição de ensino superior privada, a Unijales, e duas de ensino público e gratuito, a Fatec e o polo da Universidade Aberta do Brasil. Este também pode ser um caminho para crescimento?
Magalhães - Diria que não apenas pode, como é imprescindível para que se tenha qualquer iniciativa desenvolvimentista, instituições de ensino de qualidade. Em minha trajetória profissional tive oportunidade de transferir unidades bem como de implantar outras em diversas regiões e o primeiro quesito a ser avaliado é a disponibilidade de mão de obra bem formada.
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